Padrões, sincronias e eurekas!

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{in Ensaio: Redes, Ritmos, Sincronia e Sinergia*} A partir de determinado momento verifiquei que há um padrão, há um determinado número de constituintes que partilham um determinado número de características similares, que se estruturam numa malha conceptual que pode ser vista como um todo.

Isto levou-me a inferir que há aqui elementos a propor como importantes: o(s) ritmo(s) são provavelmente uma dos factores fundamentais na ecologia sustentada e evolutiva das redes. Torna-se cada vez mais claro que os osciladores e as ascilações são cruciais como parte integrante do sistema que sustenta a existência! São tudo ondas (oscilações), sejam elas micro ou macro. Desde a luz, e a respectiva decomposição  [Newton], percepção das cores [Mausfeld, Heyer (eds.)], até às oscilações sonoras que podem ser entendidas como música.

Também importante, será sublinhar que a partir de todos os dados e do padrão inferido, passei a achar que as redes—sejam neuronais, sociais ou mesmo computacionais—o seu desenvolvimento e, eventualmente, sobrevivência dos seus constituintes, i.e., e.g., a espécie humana, depende de factores menos clarificados e expostos pela investigação e reflexão—seja ela científica ou artística—em particular a(s) frequência(s) em que a(s) rede(s) operam.

Numa ideia mais “musical” proponho o entendimento destas frequências como tons ou ritmos, pois ambos dependem dessa característica e ambos participam nela (uma nota pode ser percepcionada—por convenção—numa frequência de 440hz, porque essa nota tem uma sinusóide cuja discriminação nos diz que esta, independentemente da sua amplitude, se expõe em intervalos regulares de 400 vezes por segundo. Ora o ritmo, na música, refere-se à relação de comprimento entre as notas [Levitin], ou seja numa relação de diferentes oscilações que nos faz percepcionar ciclos (frequência de determinados dados).

Mas talvez o dado mais relevante que a minha intuição acabou por revelar, perante este padrão, é que tudo isto depende de uma espécie de sincronização de constituintes. E orientando-me por aqui, houve como uma espécie de “epifania”que, pelo menos por agora, clarifica muitas das questões—que muitos de nós nos perguntamos—sobre os processos da próprias ideias (a segunda parte deste ensaio parte também desta descoberta).

Proponho o exemplo de do fenómeno “Eureka” de Newton na formulação da teoria da gravidade. Pelo que nos foi dado a conhecer o processo pelo qual Newton passou até chegar ao Eureka, não foi dependente da maçã, mas sim de um processo em que vários ingredientes (i.e., constituintes) se foram maturando e, a determinada altura, se conjugaram numa sinergia tal que a revelação se consumou no seu cérebro. Ou seja, os vários constituintes foram-se processando a diferentes ritmos, através de uma parcimónia muito própria, mas a determinado momento houve uma sincronização tal desses constituintes que permitiu ao sistema inferir com clareza um determinado aspecto.

Mas penso que essa sincronização não tem a haver com pôr os constituintes a trabalhar à mesma frequência, i.e., por exemplo, pôr o sistema visual a operar na mesma frequência do sistema auditivo. A sincronização pode-se dar quando várias frequências harmonizam entre si. E esta ideia ainda torna as coisas mais interessantes pois podemos voltar à música e ao porquê desta ser tão presente, tão estudada, mas tão misteriosa ainda [Huron], nos humanos e às propostas de pensadores matemáticos tão milenares ou centenários como Pitágoras, ou a Fibonnacci (La torre), sobre a vibração das cordas e respectivos sons e a explicação das relações entre frequências num todo a que chamamos música onde denotam que há algumas conceptualizações a ter em conta: a) a escala cromática (ocidental) é representada pelo 13 (12 divisões), pelo 8 (oitava= duplicação da frequência) pelo 5 (a quinta é chamada de dominante e acontece quando a vibração da corda se fracciona em 3); b) que a dominante é assim a quinta nota numa escala que é simultaneamente a oitava dentro das treze notas que a perfazem; c) que 13 a dividir por 8 aproxima-me de Phi, que é considerado por muitos matemáticos como um número presente em todas as estruturas universais, biológicas ou abstractas, como brócolos ou fractais, i.e., a proporção áurea [Beer][Fauvel et al].

Mas podemos também, curiosamente voltar ao cérebro. O cérebro sendo uma internet de múltiplos clusters [Buzsaki] a trabalhar em cooperação, mas dependente de uma interoperabilidade de sub redes a funcionar em diferentes frequências que contribuem para o todo onde certos fenómenos—eurekas, por exemplo—se dão quando os múltiplos osciladores sintonizam numa harmonia consonante.

O que me parece importante é que estes dados fizeram-me entender mais claramente, que, numa visão macro-cósmica, a sincronização de determinadas frequências do espectro electromagnético é crucial para a própria ecologia e sustentabilidade do universo, sendo que esta tem de ser orquestrada, pois, se numa sincronia somática absoluta—todos os constituintes a vibrar nas mesmas frequências—cria uma sinergia tal que pode fazer com que os seus constituintes se reconfigurem num outro estado, numa outra matéria. Esta condição pode ser observada quando um gerador de vibrações faz vibrar um copo até que todos os seus constituintes harmónicos alinhem pelo seu padrão específico (resonância natural), dando-se a desintegração e a passagem a outra realidade. Ou, talvez mais interessante, a reintegração num outro sistema.

Parece-me que se pode justificar uma formulação teórica, mesmo que ainda carente de estudos mais quantificados, de uma relação clara entre a música e o cérebro ao nível dos processos de oscilações, frequências e ritmos. Assim, mesmo não sendo cientista de reflexão matemática não quer dizer que ela não me fascina. Daí, isto abre a hipótese de uma aproximação transdisciplinar entre investigadores que poderia contribuir com observação heterogénea para um possível novo passo na clarificação de algumas pistas aqui inferidas.

 

Horácio {Tomé Marques}
de Originais de 2004, 2005, 2010

* Este texto é parte integrante do Ensaio: Redes, Ritmos, Sincronia e Sinergia, publicado em julho de 2011, respondendo a uma necessidade programática da UC Teoria da Comunicação integrada no ano curricular do PDMD – Programa Doutoral em Media Digitais, programa que persigo há cerca de três anos.

…..

Referências {algumas importantes relacionados com estes parágrafos}

- BEER, Michael (2005) Mathematics and Music: Relating Science to Arts?. (em linha, visitado a 3 Janeiro de 2011: www.michael.beer.name/file_download/1/mathandmusic.pdf)
- BUZSÁKI, György (2006 ). Rhythms of the Brain. Oxford: Oxford University Press.
- FAUVEL, John (ed), FLOOD, R. (ed), WILSON, R. (2003). Music and Mathematics. From Pythagoras to Fractals. Oxford: Oxford University Press.
- HURON, David (2009). Sweet Anticipation – Music and the Psychology of Expectation. Massachusetts: The MIT Press.
- LEVITIN, Daniel J. (2007). This Is Your Brain on Music: The Science of a Human Obsession. New York: Plume.
- MAUSFELD, Rainer (ed.), HEYER, Dieter (ed.) (2004). Colour Perception: Mind and the Physical World. Oxford: Oxford University Press.
- NEWTON, Isaac (1730). Opticks: Or, A Treatise of the Reflections, Refractions, Inflections and Colours of Light. London: William Innys.

 

 

Gravitating Waves in My Mind

Pinnacles of Universe Creativity

Powerful tool of the human ingenuity
Also fed by imagination, it is creativity
Artists and scientists flowing processes
Insight, curiosity, synthesis, observation
Curiosity, observation, insight, synthesis

Un-obvious things together proposing putting
New sights on mesmerising things, defying
Putting together things that has to be together
Even if obvious they might be, I mean
The only way mesmerising things can be seen

The most valuable, extraordinary lesson, maybe
We should get from this marvelous discovery
The ultimate mesmerising wonderful things
Are of the universe, himself, creativity

 

Horácio Tomé-Marques
Friday, the 12th February 2016
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The oscillations of trust!

“All the world is made of faith, and trust, and pixie dust.” J.M. Barrie, Peter Pan

{this is not a post} One day I and two friends exchanged a conversation where we discussed the “probability” that we, humans, are a kind of immortal souls that can return to physicality and, as such, our age could be different from the bodies that host us. So, some could be “old” souls that are already around for sometime.

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Brain: the ultimate enactive interface?

{a posteriori: Brain: the ultimate enactive interface?}  Eshofuni@TheAbyss is a multidisciplinary project/performance embracing art, communication design and programming, that proposes an approach towards real-time representation of brain phenomena in performative art contexts using brain-computer interface. The Abyss is an ecologic system inhabited by entities and constituents with graphic and sonic forms — inspired by creatures that form the plankton phenomenon (e.g., zoids) — that interact between themselves and with Eshofuni qua performer ́s avatar. (…)

A paper* and a performance presented @ INTER-FACE: International Conference on Live Interfaces 2014

Horácio Tomé-Marques, Tiago Ângelo, João Menezes
and Bruce Pennycook and Miguel Carvalhais

*ISBN: 978-989-746-060-9

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Eshofuni – from the unseen to the s[cr]een!

{a priori: Eshō-funi} is a japanese Buddhist term: esho is a compound of shoho, meaning life or a living being, and eho, its environment. Funi, meaning “not two,” indicates oneness or non-duality. It is short for nini-funi, which means “two (in phenomena) but not two (in essence).” Ho of shoho and eho means reward or effect. At the most fundamental level of life itself, there is no separation between ourselves and the environment.

From the unseen to the s[cr]een EshoFuni, an approach towards real-time representation of brain data

Horácio Tomé-Marques, João Meneses, Bruce Pennycook and Miguel Carvalhais

ISBN: 978-989-746-036-4

Abstract. In this paper we propose(d) an approach towards real-time representation of brain (…)
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Deus ex machina ou ex digito?

HoMyfate11

{isto não é um post} O conceito da vida como radicado na abstracção das equações, dos algoritmos, da matemática não só como meio de explicação, mas como de veiculação, e mesmo de essência única, é um pensamento milenar, recorrente, persistente, que até já propôs que o universo, antes do big-bang, poderia ser não matéria, mas uma equação—o verdadeiro paradigma da abstracção, a matéria como “coisa” exclusivamente conceptual, ou o afísico como condição primordial de todas as coisas, do tangível e mesmo do intangível.

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Cérebro, uma super rede de pequenas redes.

HoMyfate9

{in Ensaio: Redes, Ritmos, Sincronia e Sinergia*} Vivemos numa idade das redes [Sporns]. Mais do que evidenciar este postulado poderia propor que vivemos numa era que em finalmente começamos a entender que vivemos baseados em redes, e mesmo que a evolução do homem e dos sistemas que o suportam dependem destas.

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Filed under: Basics

Ir ao futuro?… não custa nada tentar (outra vez).

HoMyfate5

{isto não é um post} Desde muito jovem, quando definia objectivos e projectava realidades futuras, sabia que aquelas poderiam não se realizar — pelo menos a curto prazo. Todavia isso nunca me impediu de, insistentemente, perseguir a hipótese de consumar a sua realização.

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